SETEMBRO AMARELO (DIA 10/09 – DIA MUNDIAL DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO)

SETEMBRO AMARELO (DIA 10/09 – DIA MUNDIAL DE PREVENÇÃO DO SUICÍDIO)

Ahhh as nossas emoções, os nossos sentimentos, os nossos pensamentos!

Quanto eles têm a nos ensinar! Quanto eles têm a nos dizer!

Mas por vezes eles podem nos assustar, eles podem nos sobrecarregar, eles podem pesar por demais, por isso é importante saber que existem profissionais e recursos para ajudar a lidar com eles.

Assim como as águas, é impossível evitá-los ou controlá-los, eles seguem um fluxo próprio. Mas isso não significa que não podemos conhecê-los, identificá-los, aprender com eles e canalizá-los de uma forma a não sofrermos tanto. Acredite, é possível fazer as pazes com o seu mundo psíquico.

Infelizmente ainda hoje existe muito preconceito com o sofrimento psicológico. Por desconhecimento ou mesmo uma pitada exagerada de uma mentalidade racional que o considera “preguiça”, “falta de trabalho”, “mente vazia”, “frescura”, ou há aqueles que dizem: “ahhh, mas o que está faltando mesmo é lavar uma louça!”, “no meu tempo isso não existia!”, “não tenho tempo para isso!”.

Em minha prática profissional como psicóloga já escutei muitas vezes isso. Além do preconceito, também há a comparação ou o querer que o outro enxergue o mundo como você o enxerga, isso é uma outra forma de discriminação, é não ouvir e considerar o sofrimento alheio, e pior do que sofrer é sentir que o seu sofrimento não é legitimado ou considerado.

Entenda, em saúde mental não há certo e errado, não há fórmulas mágicas, não há uma receita generalizada para todos seguirem, o que funciona com um não necessariamente funciona com o outro. É um caminho singular. Há uma premissa na Psicologia: não há comparações, a não ser consigo mesmo.

Cada um terá seus próprios recursos para lidar com o sofrimento – recursos esses que foram desenvolvidos ao longo da história de vida de cada um. Traços de personalidade, dinâmica familiar, religiosidade, crenças, valores, contextos sociais, culturais, políticos, econômicos, fase de vida, rede de suporte, são tantos os fatores que compõe a forma como cada um irá viver e se relacionar consigo e com os outros. As necessidades são diferentes e as curas também.

Há quem vive na negação, achando que o mundo psíquico não é importante o suficiente para se dedicarem a ele. Mas de repente vem uma pandemia, de repente vem uma crise financeira, de repente vem uma doença, de repente alguém próximo faz a passagem, de repente a vida nos coloca em uma situação em que temos que nos deparar com o que muitas vezes nos assombra: as nossas emoções. E aí percebemos que dentro de nós habita um mundo!

Há o sofrimento emocional, mas o que o potencializa, muitas vezes, é o próprio preconceito e o não entendimento ou acolhimento daqueles que convivem com alguém que sofre. Claro, isso não é fácil. Mas aqui entro no ponto primordial: VOCÊ NÃO PRECISA PASSAR POR ISSO SOZINHO.

 

Primeiro passo: identificar. Segundo passo: saber que há caminhos possíveis, existem profissionais para ajudar a aliviar a sobrecarga e o desespero que muitas vezes o sofrimento inflige. O psicólogo e o psiquiatra são alguns desses profissionais. Junto deles, há outros que também cuidam da saúde mental.

Acredite, há possibilidades de melhora, porém esse processo exige esforço, entrega, paciência; alguns pontos dependerão de você e de seu esforço, outros não serão de seu controle, mas a vida em sua multiplicidade de possibilidades aponta os caminhos. A espiritualidade também não nos abandona nunca.

Eu costumo dizer que um processo de psicoterapia se assemelha a uma costura. Não é um ponto que vai fazer um casaco, por exemplo, mas uma frequência, uma constância, técnicas, um tempo (e aqui não é necessariamente o tempo cronológico!).

Se olhar e se cuidar, dedicar tempo a si mesmo. Acreditar que é possível sair de um estado de sofrimento. Porém, por vezes a desesperança bate e parece não haver luz no fim do túnel. Por isso, quando lidamos com prevenção de suicídio nunca trabalhamos sozinhos. Há sempre que se construir uma rede de apoio e aqui entra a família, os amigos, os irmãos de fé e todas as pessoas que estão ao redor e podem formar um grupo de suporte.

Confie. O caminho de se olhar, de se trabalhar, de se cuidar através do outro que acolhe, que respeita, que tem ferramentas para ajudar, é um caminho de saúde, de autoconhecimento, de transformações e melhorias de vida para você e todas as suas relações. Afinal, quando nos dedicamos a reconstrução e a melhoria da nossa própria relação, consequentemente teremos mudanças positivas em tudo o que fazemos e em todas as nossas outras relações.

Se você está passando por um momento difícil, peça ajuda. Isso não faz de você mais fraco, pelo contrário, reconhecer a necessidade de ajuda é um ato de coragem, um ato de responsabilidade e um ato de amor consigo próprio. Você não precisa passar por isso sozinho! Existem saídas, existem recursos. Vamos juntos nos cuidar e respeitar todas as formas de sentir e de viver a vida! A Umbanda nos ensina o respeito, o amor, a luz que carregamos dentro de nós e que podemos transmitir e ajudar um irmão que por algum momento não está conseguindo enxergar a sua luz interior. Todos estamos no mesmo barco, na mesma banda, ninguém está imune ao sofrimento, da mesma forma, todos somos capazes de atingir estados de maior paz. Acredite, a luz de nosso Pai Oxalá e de todos os nossos amados Orixás está dentro de cada um de nós também!

Cuidar de nós é um dos maiores atos de fé e de amor que podemos ter dentro de nossa evolução. Afinal, o que mais as Entidades querem de nós a não ser estarmos em paz com nós mesmos, estarmos de bem com nosso passado, reconhecendo que estamos constantemente construindo a nossa vida, aprendendo, errando, recomeçando? A maior oferenda que podemos oferecer a Eles é a nossa luz, o nosso amor e isso começa com o trabalho e o cuidado de nós mesmos.

Texto de Isadora Di Natale Nobre, Filha de Santo do T.E.U.C. Pena Verde – 10-09/2020.

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