Para Médiuns

NORMAS GERAIS DOS FILHOS DE SANTO (internos)

 

Objetivo

Padronizar as atitudes, responsabilidades e condutas a serem seguidas por todos os Filhos de Santo nos trabalhos do Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde, quer seja no Terreiro como no Santuário ou em outras atividades programadas sob o comando da Mãe de Santo. 

Como entrar no Templo

Ao entrar no Templo assumir uma atitude de respeito, pedindo licença ao dono da casa, Caboclo Pena Verde, aos Orixás e Entidades de Luz de Direita e Esquerda. Reverenciar de maneira pessoal e respeitosa a porta da frente, Cruzeiro das Almas, a casa de Esquerda e de Omulu e entrando na casa, do lado de dentro a Entidade Zé Pelintra.

Como firmar as velas no cruzeiro

Antes do início dos trabalhos, todos os filhos de Santo obrigatoriamente devem firmar as seguintes velas (pequenas) para sua proteção e da Corrente na seguinte ordem:

  • Vela branca para Oxalá.
  • Uma vela para o seu Pai e uma para sua Mãe de cabeça na respectiva cor.
  • Uma vela para a Entidade do dia na respectiva cor
  • Uma vela preta/vermelha que deverá ser deixada na secretaria que será acessa posteriormente. Caso não haja condição financeira para firmeza acima, acender obrigatoriamente uma vela branca para Oxalá e deixar a vela preta/vermelha na secretaria.
  • Seja breve ao cumprir suas obrigações e suba para compor a corrente mediúnica com firmeza, silencio e concentração.

 

Saudações ao Caboclo Pena Verde

Ao chegar ao topo da escada reverenciar a imagem do Caboclo Pena Verde, sem tocá-la.

Entrada no Terreiro

Antes de passar pela Trunqueira de entrada, ajoelhar-se fazendo um Sinal da Cruz no solo com a mão direita, cujo significado é o de abrir os caminhos, e pedir permissão ao Orixá Ogum (Chefe da Trunqueira também representado pela vela vermelha acessa) e demais Orixás de comando e chefia da Casa.

Congá

Em frente ao Congá, reverenciar Oxalá e os demais Orixás e Entidades dizendo como sugestão: “Agradeço a permissão de estar presente nesta Casa, torna-me digno deste momento e permita que eu possa contribuir com o melhor de mim para a realização destes Trabalhos”.

Durante este procedimento e qualquer outro que esteja relacionado ao Congá, este nunca poderá ser tocado, nem mesmo qualquer imagem nele exposta, isto se estende as águas da cachoeira e do mar e o sal que deverão ser pegas com as conchas.

 

Quadro da Mentora (Dona Anna)

Após reverenciar o Congá, saudar o quadro da Mentora sem tocá-lo.

Tridente e capa do Exu Sete Encruzilhadas

Em seguida da Mentora, saudar o Sr Sete Encruzilhadas e toda corrente da Esquerda sem tocar na capa e no tridente.

 

Atabaque e Ogãs

Cumprimentar e reverenciar os atabaques e os Ogãs curvando-se à sua frente em sinal de respeito.

Sua posição na Corrente

Depois de completado os passos anteriores dirigirem-se às suas respectivas posições permanecendo em absoluto silêncio e concentração, preparando-se para a abertura dos Trabalhos.

O cumprimento aos irmãos, Mãe de Santo e Pai Pequeno deve ser feito antes de subir ao Terreiro. Se isso não foi possível fazer apenas uma reverencia no chão em sinal de respeito à Mentora Espiritual e ao Pai Pequeno, sem a necessidade do contato físico.

Bebida e tabagismo

É vedado a ingestão de bebidas alcoólicas no Terreiro durante os trabalhos, bem como o tabagismo em ambos os casos liberados somente em casos especiais para limpeza de guias os outros rituais.

DAS SAUDAÇÕES

 

Saudação e cumprimento a Mãe de Santo

O cumprimento a Mãe de Santo deve ser quando de sua entrada no Terreiro através do Canto de Saudação. Não há necessidade de cumprimentos individuais. Os filhos de Santo que chegarem atrasados farão o cumprimento dentro da Corrente.

 

Orixás e Entidades

Cada Orixá ou Entidade tem uma saudação específica e característica que deve ser observada e seguida para o perfeito cumprimento. Assim sendo segue abaixo as corretas saudações e seus significados:

  • Oxalá: Oxalá Epa Babá! : Salve o Pai!
  • Ogum: Ogum iê! Meu pai.: Salve Ogum!
  • Xangô: Kao Kabesilê Xango! : Venha saudar o rei!
  • Oxossi: Okê Oxossi! OKê Arô!Okê Caboclo: Salve aquele que grita, que brada!
  • Obaluaê/ Omulú: Atotô Obaluaê! Salve a força de Omulú : Salve rei e senhor da terra!
  • Iansã: Eparrei Iansã!
  • Oxum: Ora ieê ô mamãe Oxum! ; Salve benevolente Oxum!
  • Iemanjá/ Janaina: Odó iyá Iemanja/Janaina: Mãe das águas!
  • Nanã:Saluba Nanã! • Baiano: É da Bahia meu pai!
  • Boiadeiro: Getruá Boiadeiro! Xeto, Maromba Xeto! : Salve, aquele que tem braço forte, pulso forte!
  • Marinheiros: Salve a Marujada!
  • Preto Velho: Adorei as almas
  • Criança: Ibeji! Ou Beijada : Salve todas as Crianças!
  • Exu/ Pomba-gira: Exu é Mojubá! Ó grande eu te saúdo! OU Laroyê Exu! Exu é mensageiro!
  • Ciganos: Optchá!: Salve!

 

Vestimenta
É obrigatório o uso da roupa branca dentro do Terreiro durante os trabalhos. As mulheres deverão usar saia branca com calça grossa branca não transparente por baixo (é proibido o uso de calça tipo “fusô”), camiseta branca e Ojá, ambos com o emblema do Templo e calçado branco sem salto, tênis branco ou chinelo branco ou descalço.

Os homens devem usar calça branca, camiseta branca com o emblema do Centro e Ojá, calçado branco, tênis branco, chinelo branco, ou descalço. Vale o mesmo para o Santuário apenas com o uso da camiseta verde no lugar da branca.

Na festa de Iemanjá deverá ser usada a camiseta verde com o emblema do centro. É também proibido o uso de acessórios tais como, brincos de tamanho desproporcional, pulseiras, relógios, peircings, etc., em todas as atividades Espirituais.

Guias
São instrumentos de ligação da espiritualidade com o mundo material. Servem como condensadores de energia e protetores, contendo a energia do Orixá e/ou Entidade. As guias de trabalho servem para melhorar a ligação fluídica do médium com a Entidade e/ou Orixá.

Devemos tratá-las com respeito, devendo ser guardadas dentro de sacos brancos para guias de Direita e preto/vermelho para as de Esquerda.

Não deixá-las dentro de carros, banheiros ou lugares de baixa energia. As Guias de Trabalho devem ser guardadas no armário, dentro do Templo.

Podemos ter guias de Direita e Esquerda para uso pessoal, para nossa proteção diária. Também devem ser guardados em lugares próximos e apropriados, com o máximo de cuidado, em sacos para esse fim.

As guias devem ser de material natural, como porcelana, cristal ou sementes, pois esses materiais absorvem a energia e a vibração de forma apropriada. Plásticos e outros materiais como vidros ou resinas não possuem as propriedades necessárias para fixação destas energias espirituais e não são capazes de absorver e reter as imantações divinas condensadas em suas consagrações.

Todos deverão usar as guias conforme o padrão do Centro, ou seja, com 126 ou 147 contas mais a firma, podendo ser de cristal ou porcelana. Deverão ter uma única cor, exceção feita às guias de Sete Linhas (com as cores das sete linhas), Omulu (branca, preta e vermelha), Criança (rosa e azul) e Esquerda (preta e vermelha) e de Cigano (com as sete cores mais a laranja). As guias de Baiano podem ser também feitas de “coquinhos”. Os Filhos de Santo deverão ter no mínimo uma guia branca de Oxalá, Uma de Sete Linhas, uma de seu Pai e uma de sua Mãe de cabeça na respectiva cor e uma preta ou preta/vermelha para os trabalhos de Esquerda.

Em função das condições financeiras poderá optar por guias pequenas, sendo obrigatoriamente uma branca de Oxalá, uma de Sete linhas e uma preta ou preta/vermelha.

Quaisquer outras guias, de padrões diferentes devem ser autorizadas somente pela Mentora Espiritual. Isso evita excessos de vaidade e mistificações que não acrescentam nada ao nosso trabalho espiritual na Umbanda que é simples e puro.

 

Preleções e avisos

Durante o tempo que uma Entidade estiver fazendo uma preleção ou mesmo a Mãe de Santo estiver dando avisos todos deverão ficar em perfeito silêncio e atentos.

Compromissos e obrigações

São obrigações indispensáveis de todos os Filhos de Santo:

 

  • O cumprimento das normas gerais constante neste documento.
  • O comparecimento obrigatório a todas as Giras, Trabalhos no Santuário, Festa de Iemanjá e todos outros trabalhos determinados pela Casa. Toda e qualquer impossibilidade de presença ou atraso deverão ser comunicados com antecedência.
  • É de extrema importância a presença dos filhos de Santo 30 minutos. antes do início dos trabalhos, podendo realizar com calma e maior concentração os preparativos e obrigações na realização de suas firmezas e participação desde a preleção inicial;
  • Os filhos de Santo que se ausentarem por tempo superior a três (03) Giras sem uma justificativa plausível serão impedidos do exercício de suas funções normais, devendo ficar a disposição de Trabalhos de Direita e de Esquerda a fim de se integrarem novamente à corrente, retornando as suas atividades somente a critério da Mãe de Santo.
  • Os médiuns iniciantes deverão cumprir um período de um ano para serem coroados como Filhos de Santo. Uma vez Coroados, deverão usar suas Coroas na cabeça durante os dias de comemoração.
  • Os Médiuns em desenvolvimento devem obrigatoriamente restringir as incorporações somente à Entidade do dia. No caso das giras de Caboclo deve dar passagem apenas ao Pai de cabeça (Orixá). A passagem para outras Entidades e Orixás somente será permitida no Santuário quando das oferendas em sua homenagem. Isso dinamiza a realização dos trabalhos
  • Após o período de três (03) anos da Coroação, os médiuns deverão fazer obrigatoriamente sua Firmeza de Filhos de Santo, que os tornam aptos a fazerem parte de Trabalhos que exijam maior firmeza ou mesmo de iniciar-se como Médium de Consulta se esta for sua missão. Firmeza deverá ser renovada a cada cinco (05) anos.
  • Todos os Filhos de Santo (principalmente Ponteiros e Pai Pequeno) deverão fazer um Descarrego completo por mês. Esta obrigação inclui os Médiuns que atuam nos trabalhos de Cura às segundas feiras. Este descarrego será feito durante as giras do mês, procurando evitar maior concentração na gira de Esquerda, em razão do grande numero de trabalhos realizados para a Assistência.
  • É dever dos Cambones de Apoio da Gira e de todos os Filhos de Santo observar e coibir a circulação de consulentes no terreiro antes e após as consultas e/ou descarregos, orientando-os e acompanhando-os até a saída do terreiro, evitando assim a possibilidade de um consulente passar com mais de uma Entidade. Todos devem observar também posturas, vestimentas, inadequadas dos consulentes e orientá-los a usar a bata oferecida pela casa durante sua permanência no terreiro.
  • Os Filhos de Santo e assistência têm por obrigação o pagamento mensal do tributo instituído pela Casa para que a mesma possa atender a todas as necessidades de manutenção, preservação física do prédio, segurança externa bem como mantendo todo o local limpo e apropriado para o uso de todos. Em caso de desemprego ou qualquer outro tipo de problema que impeça de cumprir seu compromisso, entrar em contato com a secretaria.
  • Nenhum Filho de Santo deve retirar-se do Templo e de suas atividades na Corrente antes das 23:30 horas ou enquanto as Entidades sob seus cuidados estiverem presentes. É também de sua responsabilidade manter seu espaço limpo e organizado, antes, durante e depois dos Trabalhos.
  • Todos os Filhos de Santo têm por obrigação cumprir rituais de defesa antes dos Trabalhos, sejam eles no Templo, Santuário ou qualquer outro determinado pela Mãe de Santo, tais como: Banho de Defesa, defumação de sua casa, não ingerir bebidas alcoólicas, ingerir somente alimentos leves, evitando carnes vermelhas, abster-se de relação sexual e evitar locais não apropriados de energia desfavorável.
  • Os filhos de Santo não poderão consultar-se ou fazerem descarrego antes do término do atendimento à assistência, exceto aqueles que por motivo de saúde, ou trabalho precisem sair mais cedo, ou mesmo aqueles que estejam necessitando de assistência espiritual mais imediata.
  • É expressamente proibido aos filhos de Santo realizar consultas, ou trabalhos espirituais fora das dependências do Templo, e sem autorização previa da Mãe de Santo. Tal prática não autorizada pode incorrer em prejuízos sérios, desestabilizando o próprio Médium, com repercussões para o Templo e principalmente para a Mãe de Santo. Vale lembrar que o ambiente do Templo está respaldado espiritualmente para o exercício de qualquer atividade ou prática, o que não ocorre fora do mesmo.
  • É expressamente proibido a todos os Filhos de Santo a divulgação ou comentários internos ou externos referentes aos assuntos tratados entre Entidade e consulente. Os assuntos discutidos entre Entidade e consulente são de ordem pessoal o que exige sigilo absoluto. A prática da confidencialidade é uma questão de ética e bom senso e deve ser características de todos os Filhos de Santo.
  • Todos os Filhos de Santo devem estar conscientes de que o grau de parentesco e relacionamento não deverá influenciar ou mesmo ser tratado/considerado dentro do Templo, isto inclui todo e qualquer assunto não pertinente à atividade Espiritual.
  • As Filhas de Santo que constam do calendário das flores para decoração do Congá, devem se inteirar com antecedência de uma semana, de acordo com suas posses quando devem providenciar as flores. Esta obrigação é de grande importância para que o Congá não fique sem a vibração e reverencia de agradecimento que essas flores expressam.

 

Considerações gerais

A criação deste documento deve-se a necessidade de organização, normatização padronização das práticas, conceitos e disciplina dos Filhos de Santo e da assistência, em função do grande crescimento e exigência na evolução Espiritual do Templo.

O fiel cumprimento das normas aqui descritas reverterá em total benefício de todos os Filhos de Santo, Mãe de Santo, Orixás e Entidades de comando e chefia deste Templo bem como da própria assistência, uniformizando a conduta de todos em prol de trabalhos mais firmes e eficientes.

 

 

RESPONSABILIDADES DOS MÉDUINS

 

Objetivo
Padronizar as atividades, responsabilidades e condutas a serem seguidas por todos os Médiuns de Consulta, Descarrego e Linha Médica da Corrente do T.E.U. Caboclo Pena Verde, buscando harmonizar a conexão entre o plano Espiritual e o físico dando equilíbrio e sustentação aos trabalhos realizados, tendo como objetivo a evolução do espírito, tanto no Terreiro como no Santuário ou em outras atividades espirituais programadas.

 

Considerações gerais

Através da mediunidade se estabelece a comunicação do mundo material com o Espiritual. Sabemos que a mediunidade é uma sensibilidade que se manifesta de diferentes formas e ela vai se aprimorando com a prática e se torna mais intensa, portanto deve ser bem dirigida, orientada e aceita com compromisso e seriedade. Deve estar voltada ao bem da Humanidade e estar a serviço da evolução e crescimento do espírito, pois foi assumida antes do encarne na matéria. O espírito já trás esta marca e de acordo com seu compromisso será voltada para a cura, orientação, incorporação, etc. Quanto mais for exercitada mais será aprimorada.

A mediunidade vai ser entendida e desenvolvida de acordo com o grau de maturidade, evolução ou estudo para ser vivenciada pela pessoa de maneira a prestar o socorro e a caridade necessária ao cumprimento de sua missão.

Há um chamado da espiritualidade para que esta mediunidade atinja os objetivos pré-determinados em prol da evolução do espírito e de ações benéficas ao mundo material.

O Médium de Consulta disponibiliza seu corpo, para que através dele, Entidades de luz e de alta vibração, se manifestem dando palavras de orientação, alívio e consolo, cura dos males espirituais e outras ações e atividades que se desenvolvem dentro de um Terreiro.

Essas ações devem ser sempre consideradas como ações da espiritualidade e os médiuns devem manter uma postura integra, isenta de vaidades ou qualquer outro sentimento não condizente ao serviço de caridade e doação para o cumprimento de sua missão.

Deve existir uma troca mútua entre Médium e Entidade onde um fornece toda uma experiência de uma vida regrada e enriquecida pelo avanço intelectual e comportamental no plano terrestre e o outro, toda uma bagagem evolutiva regida pelo conhecimento e amparo recebido no plano Espiritual, onde ambos se beneficiam em seu aprendizado, conhecimento e principalmente evolução espiritual.

São deveres indispensáveis de todos os Médiuns de Consulta, Descarrego e Linha Médica:

Assumir conscientemente sua mediunidade e saber lidar com ela
É preciso ter consciência de que a mediunidade não limita o ser nem o escraviza, apenas exige dele uma conduta de acordo com o que esperam as Entidades que atuam no plano material através dele para socorrer os encarnados.
O Médium, seja de Consulta, Descarrego ou Linha Médica, deve entender que é um “Templo Vivo”, no qual se manifestam as Entidades, e os Orixás ou mesmo na retirada e incorporação de espíritos sem luz quando dos trabalhos de descarrego, cumprindo assim suas missões junto aos irmãos encarnados.

Não interferir nas Consultas

A mente do médium faz a captação da mensagem da Entidade e a decodifica telepaticamente com a ajuda da mesma. O que o Médium recebe e transmite segundo sua compreensão psíquica varia de acordo com o equilíbrio de sua personalidade ou influência externa que vivencia no momento. É preciso, portanto, que o Médium se permita um período maior de concentração e firmeza, fazendo com que a Entidade assuma por inteiro sua mente e o manifesto através de seu corpo, sem que haja uma interferência pessoal, isto ocorre com o bloqueio do raciocínio deixando fluir toda emanação da Entidade sempre proferida em suas primeiras palavras.

 

Buscar a energia da força vital positiva

A mediunidade é um instrumento para alcançar a sabedoria interior, expurgando de seu intimo, as vaidades, egoísmo, orgulho, vaidades, ganância e todos os sentimentos inerentes a espíritos inferiores, por meio do afloramento dos estados evolutivos de sua capacidade sensitiva, de forma a distinguir com precisão influências positivas e negativas, aprimorando o processo de crescimento espiritual de integração com as energias vibrantes e iluminadas,

recebidas do plano Espiritual.

A um Médium de Consulta, Descarrego ou Linha Médica, exige-se um reajustamento íntimo de tal ordem, que mentalmente é preciso se colocar numa vibração na qual tudo flua naturalmente, permitindo a incorporação de suas Entidades sem que suas mentes criem bloqueios que impeçam a completa manifestação da mesma, para isso oferecemos curso de formação mediúnica para esclarecer e abrir da melhor forma possível e com maior clareza o canal de ligação com seus Mentores.

 

Não permitir a interferência das dificuldades materiais

As dificuldades de ordem material, sentimental, familiar, profissional ou de saúde são em grande parte temporárias e superáveis, porém não deve em hipótese alguma influenciar o desejo, autoestima e entusiasmo do Médium, ou mesmo atribuir à religião a culpa ou a responsabilidade de não ter impedido tais dificuldades. O Médium deve manter-se firme e útil a seus semelhantes, pois é neste momento que o desenvolvimento mediúnico, respaldado pela fé, perseverança e confiança no Templo, suas Entidades e Orixás de Comando, sobrepõe-se a todos os inconvenientes ou obstáculos de ordem material, auxiliando-o na continuidade do cumprimento de sua Missão.

Rever-se internamente, sempre que necessário

O Médium deve ter consciência de seu estado de fragilidade emocional momentâneo, procurando amparo e ajuda espiritual dentro de seu Templo. Caso seja de ordem psicológica e exija algum auxilio externo especializado, isto deve ser de conhecimento da Mãe de Santo para que haja um apoio espiritual paralelo.

O Médium deve estar preparado para enfrentar tais fragilidades sem que isto cause interferência na Corrente do Templo. Manter pensamentos positivos para bons efeitos tanto do corpo físico como do espírito. Há emoções que geram consequências drásticas e bloqueios no campo Espiritual que podem comprometer a mediunidade. Sentimentos como a raiva, medo, ressentimento, culpa e outros nesta ordem, reduzem a sintonia entre o Médium e Entidade, diminuindo a capacidade física e mental para uma plena incorporação.

Não sentir ciúme ou inveja dos irmãos

O dom da mediunidade deve ser agradecido e reconhecido como uma oportunidade que nosso Pai Oxalá esta nos dando para evoluirmos de acordo com nossas necessidades e merecimentos. Todas as pessoas são munidas de mediunidade (sensibilidade) de diferentes formas, portanto os valores mediúnicos são equiparáveis e importantes dentro de suas características de ajuda a humanidade. A mediunidade se manifesta nas habilidades da ligação com a espiritualidade, cujo conhecimento é trazido de vidas passadas e pode se expressar na forma de atividades e dons como da pintura, musica, interpretação, escrita e tantos outros. Lembrar sempre que somos Espíritos eternos em trânsito evolutivo e que não nos cabe julgar quem possui maior ou menor bagagem, conhecimento ou merecimento.

 

Acolhimento e respeito aos novos Médiuns

Um novo Médium deve ser acolhido pelos irmãos já iniciados com muita atenção carinho e respeito, é mais um Filho de Santo do Terreiro que necessita de orientação e preparo, pois ainda não reúne a segurança e autoconfiança necessária para o desempenho de suas funções. Cabe aos Filhos mais antigos e experientes os cuidados para o correto desenvolvimento do novo Médium, não sendo admissível imposição de experiências pessoais, mas sim das normas estabelecidas pelo Templo, podendo ser assim ótimos exemplos de disciplina e religiosidade para seus novos irmãos de fé na pratica da Umbanda.

Disciplina
Entende-se por disciplina o respeito à organização dos trabalhos, às normas, preceitos e diretrizes do Templo, bem como as orientações da Mãe de Santo. O ato de indisciplina demonstra o não comprometimento com as regras estabelecidas, falta de consciência, respeito e maturidade. Caso o Médium, após novamente ser alertado persistir no ato, será afastado de suas atividades ou mesmo excluído da Corrente.

 

Colaboração nas atividades e serviços do Templo e Santuário

O Médium deve estar inteiramente integrado ao seu Terreiro, considerando-o seu próprio lar, colaborando para que ele se mantenha, prospere e cresça. É sempre agradável trabalhar e frequentar um ambiente limpo, organizado e acolhedor. Deve ter consciência que pode contribuir nas atividades exigidas dentro das Giras, bem como, fazendo uso de suas habilidades auxiliarem nos serviços de conservação, manutenção e todos os reparos que a casa necessitar.

Humildade, Paciência e Tolerância

O Médium quando dentro da Corrente deve estar sempre a serviço da espiritualidade acolhendo de forma respeitosa o manifesto de suas Entidades, não criando qualquer obstáculo a incorporação. Deve estar consciente dos compromissos assumidos, isentos da soberba, orgulho ou vaidade, pois sabe que o Médium não é um fim em si mesmo, mas apenas um meio. Ter humildade é reconhecer que não é melhor que nenhum dos Médiuns que compõe a Corrente, tratando a todos com respeito, carinho e dignidade. A paciência e a tolerância são virtudes importantes e requisitos fundamentais de agregação da Corrente de Trabalhos Espirituais.

 

Estudar sempre

O conhecimento, aprofundamento de estudos e esclarecimentos em geral são importantíssimos, porém requer cuidados na escolha de uma literatura voltada aos preceitos da religião dentro da conduta estabelecida pelo Templo Espiritual Caboclo Pena Verde, de forma clara e responsável, não permitindo a influencia de outras filosofias, seitas ou praticas não reconhecidas pela doutrina adotada pelo Templo dentro da orientação da Umbanda.

A Umbanda praticada por este Templo está baseada nos princípios da crença Africana e conceitos voltados a espiritualidade influenciadas pelo catolicismo e pelo espiritismo através das obras de Allan Kardec (Livro dos Espíritos, Livro dos Médiuns, Evangelho Segundo o Espiritismo, Gênese e O Céu e o Inferno). Para que isso se realize adequadamente é necessário que os praticantes e seguidores da Umbanda estudem em profundidade seus fundamentos religiosos que podem ser encontrados também nos cursos ministrados em nosso Templo mensalmente, ou na leitura do livro Mensageiros da Espiritualidade e nas mensagens divulgadas em nosso Site.

 

Deveres dos Médiuns em Desenvolvimento

Além de todas as orientações acima, os Médiuns recém-chegados ou em desenvolvimento têm os seguintes deveres:

 

Buscar orientações

Sempre que houver qualquer tipo de duvida nunca deixe de esclarecê-la. Procure orientação com os Médiuns mais experientes do Templo que, dependendo do assunto, poderão encaminhá-lo para que fale com a Mãe de Santo ou as Entidades Chefes. O desenvolvimento fluirá sempre naturalmente, tranquilo e equilibrado na forma e ao tempo adequado a cada Médium. A relação entre Médium e Entidade requer um período de amadurecimento que não é ditado pelo Médium, mas sim pela necessidade da Entidade no fortalecimento desta ligação. O aprendizado para o desenvolvimento é uma pratica constante durante toda a vida do Médium neste plano. É parte importante deste aprendizado, a humildade, caridade, devoção, bom senso, perseverança e fundamentalmente fé e amor.

 

A importância dos trabalhos dentro da Umbanda

Todo e qualquer trabalho e/ou atividades realizados durante as Gira ou nas demais cerimônias regidas pelo Templo tem o mesmo grau de importância, caso contrario não teria sentido realizá-los. É um conjunto de trabalhos e atividades, tais como, auxilio ao descarrego, oração de firmeza (após descarrego), auxilio ao desenvolvimento dos iniciantes, observação e orientação na conduta dentro do Terreiro e mesmo na assistência, conservação da Casa, Santuário, atividades do Cambone, incorporação, etc. Estes são exemplos de relevância para o bom andamento dos trabalhos durante e fora das Giras, para que tudo transcorra de forma harmoniosa e equilibrada. Todo o Filho de Santo que abraçou a espiritualidade deve ter a consciência de que sua missão está voltada ao trabalho como um todo, não cabendo a ele classificá-lo ou mesmo se opor a fazê-lo imaginando sua menor ou maior importância. Jamais deem qualquer desculpa para se ausentarem de suas obrigações. Assim sendo, há uma infinidade de atividades reservadas aos Médiuns na Umbanda, é só terem consciência da beleza Espiritual da religião que abraçaram com humildade, fé, amor e confiança.

 

Compromissos e Obrigações

São obrigatórios e fundamentais, para todo os Médiuns de Consulta, Descarrego e Cura os seguintes itens:

  • Saber com antecedência suficiente qual será a Gira da noite para que não haja erro na preparação e na escolha do material necessário para a Gira

 

  • Trazer para as Giras todos os acessórios e itens exigidos pela Entidade para o bom andamento dos Trabalhos, ou seja, todos os apetrechos da Entidade, bebidas não alcoólicas, comidas, cigarros, charutos, flores, galhos de arruda, etc, sendo que estes devem ser usados de maneira comedida.

 

  • Trazer limpos os aventais dos consulentes, seus Ojás e sua vestimenta para a Gira da noite. A lavagem dos mesmos deve ser feito em separado das demais roupas, acrescentando à lavagem final um punhado de sal.

 

  • Ter um relacionamento e entrosamento perfeitos com o seu Cambone determinando o que cada um deve trazer ou fazer para que não haja qualquer tipo de falha durante a Gira.

 

  • Caso seu Cambone seja um Médium em desenvolvimento, trabalhar sua mediunidade e Entidades do dia, e orientá-los em todas suas dúvidas, alertando-os quanto à conduta correta dentro do Terreiro, observando todas as normas da melhor forma possível. Deve ser sempre salientado que o desenvolvimento associado à incorporação, deve somente ser praticado dentro do Terreiro e (em hipótese alguma fora dele) ao final da Gira ou de acordo com a necessidade da Entidade em trabalho durante a Gira.

 

  • Todos os Filhos de Santo deverão deixar suas Guias de trabalho e suas Coroas guardadas em seus armários no Templo. Poderão levar consigo apenas uma Guia de Direita e uma de Esquerda de contas pequenas já cruzadas, tendo o cuidado de trazê-las às quartas feiras para limpeza e defumação na Gira.Todos os Filhos de Santo devem ter consciência de que as Guias de trabalho são de uso interno e devem permanecer no Templo, local de firmeza, energia e ligação com a espiritualidade de Comando e Chefia do Terreiro, preservando a proteção que é estendida a cada Filho onde ele estiver. Não devendo estar exposta a locais inadequados sem o respaldo espiritual do Templo.

 

  • Quando uma Guia de Trabalho estoura por alguma razão que pode ser uma demanda, carga negativa ou por se romper naturalmente, independente do local, é de opção do Médium refazê-la ou entregá-la no Santuário, e sendo o caso na Praia pode ser entregue no Mar ou mantida no local onde caiu. Se optar por refazê-la as contas da Guia de Direita devem ser lavadas em água do Mar e Cachoeira, e as de Esquerda deverão ser recolhidas, lavadas em pinga e refeitas. As Guias de proteção (de uso externo, miçangas de contas menores), caso estourem pelos mesmos fatores mencionados acima, devem ser recolhidas o máximo de contas possíveis, não refazer e jogá-las em água corrente limpa, substituído-a imediatamente.

 

  • As entregas no Santuário são feitas para homenagear as Entidades e Orixás, portanto são destinadas a eles e não aos Filhos de Santo que não deverão servir-se das oferendas depositadas na Mesa (toalha). É importante que todos os Filhos de Santo saibam que os trabalhos ou entregas realizados para na Direita ou Esquerda, seja de iniciativa dos Filhos de Santo, assistência, com ou sem a orientação das Entidades, passarão pelo crivo das Entidades de Chefia e Comando da Casa e somente tomará efeito se estiverem respaldadas por elas, justificadas pelo beneficio e justiça do que esta sendo pedido. Trabalhos orientados ou realizados por pessoas alheias ao Templo não terão qualquer validade, pois serão bloqueados pelo Comando Maior.

 

  • Estar ciente e controlar o período das firmezas, um ano da coroação e três (03) anos após a firmeza anterior.

 

Considerações finais

O pleno conhecimento desta norma não exime os Médiuns de Consulta, Descarrego e Linha Médica, do conhecimento das Normas Gerais dos Filhos da Casa, Atividades dos Cambones, Atividades dos Ogãs e das Normas Gerais da Assistência, todas são de extrema importância e exigem que todos as conheçam profundamente, ou seja, são complementares

 

RESPONSABILIDADES DOS CAMBONES

 

Objetivo

Padronizar as atividades, responsabilidades e condutas dos Cambones que fazem parte da Corrente do Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde, quer seja no Terreiro, no Santuário ou em outras atividades Espirituais programadas sob o comando da Mãe de Santo.

 

Definição de Cambone

Define-se médium como mediador, elo, comunicador entre o mundo Espiritual e o mundo material. Os médiuns são trabalhadores que estão a serviço da Espiritualidade. Na Umbanda temos médiuns de várias sensibilidades: os de consulta, de Descarrego, de Oração, da Linha Médica, os Cambones, os Ogãs.

 

Considerações Inicial

A importância do Cambone está vinculada ao bom andamento dos Trabalhos Espirituais do Terreiro, exige que esteja sempre atento, concentrado e compenetrado no que está fazendo, estar sempre disposto a aprender, estar preparado para todo esforço físico, mental, espiritual, amar os Orixás, seu Templo e, acima de tudo, amar o que faz. O Cambone é um secretário dos Médiuns de Consulta e das Entidades neles incorporadas, zela pelo bom andamento das consultas, dinamizando-as, facilita o trabalho das Entidades, serve como intérprete delas, ou seja, explica sua mensagem ou recado de uma maneira mais simples, sendo assim a sua testemunha. Sua ação é tão importante quando a dos demais Médiuns, pois não estando incorporado de nenhuma Entidade, ele é parte integrante dos Trabalhos Espirituais, sendo assim, as Entidades se utilizam dele para retirar energias negativas dos consulentes.

Muitas vezes um Guia Espiritual tem dificuldades de adentrar no íntimo do consulente devido à densidade energética presente na pessoa e lança mão da presença do Cambone e, através dele, fazendo “uma ponte” consegue auscultar o íntimo da pessoa em consulta.É de extrema importância também a presença do Cambone no momento da consulta e de sua confidencialidade no que se refere a consulta realizada, uma vez que em caso de interpretações errôneas vindas por parte do consulente, o mesmo poderá tirar as duvidas existentes.
Pelo fato de no Templo Espiritual Caboclo Pena Verde não haver rodízios de Cambones, ou seja, um Cambone permanece fixo com um Médium de Consulta, isto provoca uma sinergia muito grande entre eles, faz com que o Cambone conheça a forma de trabalho da Entidade e seus gostos, criando assim uma forma afetiva entre eles, estabelecendo um laço de confiança.
Uma vez que o Cambone poderá vir a ser um Médium de Consulta (caso seja esta sua missão, pois nem todos têm a mesma missão dentro do Terreiro), ele pode considerar esta fase como aprendizado para sua futura missão.

Materiais Básicos

Não há uma lista básica de materiais que um Cambone deve trazer para o Terreiro, pois cada Entidade por ele auxiliada tem características, formas e maneiras diferentes de trabalhar que exigem determinados apetrechos específicos. É importante, e é por essa razão que não há troca de Cambones, (a não ser em casos de extrema necessidade ou afastamento da Casa) que todos saibam exatamente o que cada Entidade vai precisar e não deixar que nada falte para o bom andamento dos Trabalhos.Há, porém, a lista baixo de objetos que, indiferentemente do que as Entidades venham pedir, todo Cambone deve obrigatoriamente trazer em todos os Trabalhos para não ter que pedir emprestado de outro Cambone:

  • Uma malinha (tipo mala de ferramentas) para colocar todos os apetrechos evitando assim que fiquem espalhados pelo chão. Porém é bom salientar que mesmo dentro desta malinha só poderá haver os objetos estritamente necessários à condução do Trabalho que será executado, sendo que o excedente deve ficar dentro de seu armário.
  • As Guias e a Coroa, isqueiro, caneta, bloco de papel branco em ambos os lados para anotações, abridor de garrafa, saca rolha, etc.
  • Toalhinha branca para higiene sua e do Médium de Consulta.
  • Pano de chão para limpeza de seu local de trabalho.
  • Lenço de papel.
  • Saco plástico para depositar lixo.
  • Copos descartáveis.
  • Garrafa de água.
  • Ojá.
  • Capuz do Omulu.
  • As capas para os consulentes.
  • Opcionalmente pode trazer uma bolsinha de pano branco preso à cintura para colocar os objetos de maior uso (. isqueiro, caneta, bloco de papel, etc.)

 

Compromissos e Obrigações

São obrigações indispensáveis de todos os Cambones:

  • O Cambone que estiver em Desenvolvimento, deverá dar passagem a Entidade do dia e àquelas que o Guia Espiritual eventualmente solicitar.

 

  • Dar todo tipo de assistência as Entidades por eles auxiliadas, tais como: acender seu cigarro, charuto ou cachimbo, dar-lhe de beber e de comer, etc., desde que os mesmos tenham esses hábitos.
  • Acompanhar o consulente ao fim da consulta até a trunqueira de saída evitando assim que ele atrapalhe as demais consultas ou passem por outras entidades. Caso venha identificar que o consulente está passando por mais de uma Entidade, deve prontamente dirigir-se à pessoa ou Entidade e impedir esta nova consulta e orienta-la para a marcação para a próxima semana. Caso persista a situação, chamar os Médiuns responsáveis, já determinados pela Mentora Espiritual para lhe auxiliar. Deve dirigir-se também à trunqueira de entrada para buscar o novo consulente.
  •  É habito em nosso Templo o uso de avental branco para os consulentes usarem durante a consulta. Colocar e retirar os aventais dos consulentes antes e depois da consulta. É de responsabilidade do Cambone, caso não venha ser feita pelo Médium de Consulta, a lavagem dos mesmos e trazê-los em ordem para a próxima Gira. Esta lavagem deve ser feita em separado das demais roupas, tendo o cuidado de adicionar um punhado de sal à última lavagem.
  • Orientar os consulentes de primeira vez quanto ao funcionamento do descarrego (trabalho de desobsessão e limpeza energética, exigido pelas Entidades), com relação a todos seus procedimentos, despacho, oração e firmeza de vela para posterior acendimento no cruzeiro.
  • Pode haver o caso de o consulente iniciante ter dúvidas de como comprar as velas, ou guias, da localização do Cruzeiro, etc., neste caso o Cambone deve acompanhá-lo até o andar inferior do Templo e ajudá-lo em todas as suas dúvidas, porém se assim for necessário, deve o Cambone pedir ao Cambone do lado que dê a devida assistência ao seu Médium de Consulta durante sua ausência, pois JAMAIS UM MÉDIUM DE CONSULTA DEVE FICAR SOZINHO.
  • No caso do Banho de Ervas deve o Cambone explicar que temos à venda na secretaria um banho completo das sete/vinte ervas. O procedimento correto para a preparação do banho é a seguinte: Ferver um volume de água adequado para seu trabalho ou de sua família (como sugestão que seja um ou dois litros deixando o banho dentro de uma garrafa no Box do banheiro com uma caneca para sucessivos banhos). Após o começo da fervura, desligar o gás, colocar um punhado ou dois de ervas, abafar a fervura com uma tampa, deixar esfriar e colocar o banho na garrafa sem as ervas, que deverão ser jogadas em água corrente ou em uma mata ou jardim. O banho, que pode ser aquecido com a água do chuveiro, deve ser jogado na frente e nas costas do corpo.
  • No caso da defumação na casa do consulente, o Cambone deve explicar que temos um à disposição, um defumador “Mãe Maria” que é indicado pelo Templo. A forma correta de se fazer uma defumação é a seguinte: Toda defumação deve ser feita de trás para frente da casa sempre em direção à porta da rua. Deixar as janelas abertas para as energias negativas serem dissipadas. Deve-se defumar os quatros cantos de todos os aposentos da casa (incluindo os banheiros e quintal) e atrás das portas pedindo o afastamento de energias negativas e espíritos inferiores que prejudicam o ambiente e interferem na reação das pessoas residentes no local, e pedir; paz, amor, saúde, dinheiro, progresso, união, etc. Se a residência for casa, após a conclusão da defumação, o restante do defumador que está ainda queimando deve ser deixado na sarjeta em frente a casa para terminar de queimar. Caso more em apartamento, o restante do defumador deve ser deixado queimando na área de serviço e no dia seguinte ser descartado em mata, jardim ou lixo.
  • O Cambone nunca deve interromper uma consulta. Caso haja necessidade de falar com a Entidade, espere ela terminar a consulta. A interrupção atrapalha a concentração. Somente deve ocorrer em caso de extrema necessidade.
  • O Cambone deve estar sempre atento ao consulente, pois inesperadamente ele pode receber alguma Entidade. Ao primeiro sintoma de qualquer variação em seu comportamento, deve posicionar-se atrás da pessoa apoiando-lhe com o Ojá pelas costas. Nunca deve ter um contato físico com o consulente sem o Ojá.
  • Para que não fiquem dúvidas ao consulente sobre que tipo de trabalho ou de velas ele deva comprar, é sempre conveniente que o Cambone faça a solicitação por escrito e entregue para a pessoa perguntando sempre se ficou alguma dúvida. É de suma importância que o Trabalho solicitado pela Entidade seja o mais perfeito possível.
  • A atuação de um Cambone não deve estar restrita ao Médium que ele está auxiliando e deve ficar sempre atento ao que está acontecendo em outros locais da corrente, pois eventualmente outro Cambone pode estar em dificuldades precisando de sua ajuda e ele deve estar sempre preparado para ajudar. Muitos acidentes podem ser evitados se todos os Cambones estiverem atentos aos acontecimentos do Terreiro.
  • O Cambone antes de tudo é pessoa de extrema confiança da Mãe de Santo da Casa, assim como da Entidade a que estiver auxiliando, portanto caso perceba qualquer atitude estranha que não faça parte dos procedimentos ou rituais do Templo, deve imediatamente reportar-se ao Guia chefe, a Mãe de Santo ou a um Médium de Apoio mais experiente a fim de solucionar-se o entrevero no ato que estiver acontecendo, não assuma sozinho problemas que você desconheça. Sendo assim, é de extrema importância que o Cambone tenha amplo conhecimento das normas de conduta do Templo.
  • O fato de auxiliar nas consultas exige que o Cambone seja discreto e mantenha sigilo completo de tudo que tenha ouvido, não se esquecendo de que ali são tratados assuntos particulares e que não dizem respeito a ninguém além da pessoa que estiver sendo atendida e a própria Entidade. O sigilo é um juramento de confiança que todo Cambone deve ter.
  • O Cambone, assim como nenhum Filho de Santo, deve tocar nas águas do mar e da cachoeira, quando tiver que lavar uma Guia, deve pegar a água do mar com uma concha e providenciar a lavagem, tomando o cuidado para que a guia não toque na pia de lavagem sob o Congá, caso isto venha acontecer deverá lavá-la novamente. O mesmo procedimento deve ser feito caso a Guia caia no chão. Não esquecer que qualquer guia deve ser transportada com o Ojá, nunca diretamente com as mãos.
  • Em se tratando de Guias de Esquerda, o Cambone não poderá lavá-la em água do mar, o procedimento correto é lavá-la com pinga. Deve ser feito pelos Ponteiros.
  • O Cambone não pode ter qualquer tipo de preconceito seja com os consulentes, dirigentes, Filhos de Santo ou qualquer outra pessoa. Ele não está ali para julgar ou criticar os casos que tenha oportunidade de presenciar, mas para colaborar para que sejam solucionados da melhor forma possível, de acordo com a sabedoria e a justiça Divina. Não deve esquecer também que no Templo não há grau de parentesco ou de ligação pessoal, mas somente espiritual, portanto qualquer desavença de ordem pessoal deve ser esclarecida para que não haja interferência nos trabalhos.
  • O Cambone deve estar sempre disposto a ajudar e esclarecer os consulentes, nunca se esquecendo de que eles estão no Templo por que têm problemas e que nem sempre têm o conhecimento teórico e prático Espiritual indispensável a todo Filho de Santo.
  • Quando a Entidade de consulta solicitar uma Guia ao consulente e esta for adquirida no Templo, por já se encontrar previamente cruzada pela Babá deverá ser limpa periodicamente nas próximas visitas ao Templo. Sendo uma Guia de Direita deverá ser entregue ao Cambone que irá envolvê-la com o Ojá para banhar em água do mar e passada a própria Entidade para finalizar a limpeza. O mesmo se aplica a Guia de Esquerda, que será banhada em aguardente pela Entidade.
  • Os Cambones que precisam se dirigir ao Congá para lavagem de Guias, nunca poderão fazê-lo pelo lado direito da Mãe de Santo, passando em frente ao quadro da Mentora (Dona Anna), exceção feita no início dos Trabalhos quando ainda os atabaques estão tocando.
  • Cambone deve estar sempre atento para que as consultas não se estendam acima do necessário, as consultas devem durar no máximo 10 minutos, exceto quando for a primeira vez na casa e em casos de extrema necessidade. Após esse período, colocar o próximo consulente próximo a Entidade. Ao chamar o primeiro consulente, o Cambone deverá se informar da quantidade de fichas distribuídas do Médium que ele está auxiliando e controlar o tempo e o número de consultas faltantes. Caso a consulta estiver excedendo o prazo determinado, deve alertar a Entidade de que Ela está atrasada e pedir que apresse as consultas. Caso persista a situação, deve chamar um Médium de Apoio mais experiente ou mesmo falar com a Entidade Chefe sobre o está ocorrendo.
  • Ter um relacionamento e entrosamento perfeitos com o Médium de Consulta ao qual auxilia determinando o que cada um deve trazer ou fazer para que não haja qualquer tipo de falha durante a Gira prejudicando os trabalhos.
  • Comunicar com a devida antecedência ao Médium ao qual assiste e a Administração, qualquer necessidade de ausência que seja justificada por trabalho ou saúde para que as providências quanto a sua substituição seja feita com tempo apropriado sem prejuízo dos trabalhos, responsabilizando-se também por fazer chegar ao Terreiro e ao Médium todo e qualquer material/informação que será de uso do mesmo ou da Entidade durante a Gira.
  • Os cambones devem anotar por escrito as falas, frases e/ou observações significativas das Entidades para que isso seja objeto de estudo e/ou conhecimento de todos, através dos cursos, aulas, site e face book, pedindo permissão para tal divulgação.

Considerações finais

Os itens acima descritos nesta norma devem ser seguidos obrigatoriamente por todos os Cambones, descrevem como um bom Cambone deve agir e se comportar diante de situações comuns que acontecem em todas as Giras, devem, portanto, ter amplo conhecimento de tudo que aqui está descrito. Em caso de fatos não contemplados por esta norma, devem os Cambones se dirigir a outros Cambones ou Médiuns de Apoio mais experientes para buscarem a solução. Não tomem qualquer atitude por impulso, as consequências poderão ser desastrosas.

O pleno conhecimento desta norma não exime ao Cambone do conhecimento das Normas Gerais dos Filhos da Casa, Normas Gerais dos Médiuns de Consulta, Atividades dos Ogãs e da Normas Gerais da Assistência, todas são de extrema importância e exige que todos as conheçam profundamente, ou seja, são complementares.

 

 

 

RESPONSABILIDADES DOS OGÃS

 

Objetivo
Padronizar as atividades, responsabilidades e condutas dos Ogãs do Templo Espiritual de Umbanda Caboclo Pena Verde bem como os cuidados a serem tomados com seus atabaques, organização na chamada dos pontos, para o ritual de abertura e demais trabalhos espirituais do Templo.

 

DEFINIÇÕES

 

Ogãs
Médiuns preparados e designados para a abertura e sustentação dos Trabalhos, que através do toque dos atabaques e do canto fazem a evocação dos Orixás. São de sua responsabilidade os cuidados e a preservação de seus atabaques, de seus Ojás de proteção, suas guias e fitas.

 

Atabaque
Instrumento em forma de tambor utilizado pelos Ogãs durante os cânticos de chamada dos Orixás e Entidades. Além dos atributos naturais, proporcionam a vibração e a frequência necessária para a celebração da Gira, para as evocações, abertura e sustentação da corrente energética nos trabalhos do Templo.

Curimba
É o conjunto de vozes associado ao toque dos atabaques. É formada por Ogãs que tocam e cantam, e por Filhos de Santo encarregados da chamada dos cânticos, organizando a abertura e sequência dos trabalhos. Podem ser acompanhadas de palmas e mesmo das vozes dos demais Filhos presentes.

 

Considerações iniciais

Os Ogãs, são Filhos de Santo destinados ao louvor aos Orixás através do cântico e toque dos atabaques, são Médiuns de extrema confiança do líder espiritual do Templo.

A principal característica dos Ogãs é a capacidade mediúnica intuitiva, que permite, pela evocação, a entrada das falanges na composição do campo energético positivo e vibratório. Eles são parte fundamental para a formação da corrente de trabalho dentro de um Terreiro. Eles falam pelos Orixás e Entidades e trabalham como se fossem verdadeiros instrumentos de pura vibração.

Exercem a função ritualística que sustentam um trabalho espiritual, emitindo ondas energéticas positivas através do som dos atabaques e de seus cantos que diluem e desagregam as energias negativas.

Os pontos cantados demandam uma magia de alto poder realizador, pois equilibra e positiva a corrente mediúnica.

Os Ogãs devem ser profundos conhecedores dos cantos, rezas e fundamentos de cada Entidade e Orixá das linhas de trabalho. São Médiuns preparados pelo Criador para servirem aos Orixás e Entidades, tendo o dom de movimentar a energia necessária durante o Trabalho, dando a este momento o entusiasmo, empolgação, bons fluidos, alegria e concentração, atraindo de forma vibrante a participação de todos, estimulado um maior sentimento de disciplina, solidariedade e colaboração.

A batida deve ser ritmada sem exageros e o canto deve ser claro e harmonioso, ressaltando a mensagem da letra dos pontos.

 

Deveres e responsabilidades doe Ogãs

  • Ter sempre comportamento sério e respeitoso com a Mãe de Santo, Entidades Chefes e demais Entidades que dependem dele para a perfeita vibração da Corrente. Deve manter concentração total e jamais fazer comentários ou estabelecer conversas paralelas durante a abertura, mesmo com a Curimba em silêncio.

 

  • Estar sempre em sintonia com a Mãe de Santo e atento a todo movimento da Gira e a tudo que transcorre na Corrente.

 

  • Ter consciência de que o atabaque é sagrado, pois contém a força viva dos Orixás. Ele deverá estar sempre envolto com a capa com o símbolo do Centro e seu couro protegido com o Ojá do respectivo Ogã. Ninguém além dele poderá tocá-lo de nenhuma forma e nem dele se utilizar dentro ou fora do Terreiro. Deve protegê-lo de todas as formas e preservá-lo, conservando-o em perfeita ordem. Uma vez que o Ogã responsável pelo atabaque realize qualquer reforma ou atividade de manutenção, o mesmo deverá ser novamente cruzado pela Entidade Chefe. O atabaque é um símbolo de grande importância e peça fundamental que deve ser tratado com todo o respeito e reverência.
  • É de responsabilidade do Ogã o transporte protegido e em segurança do seu Atabaque quando da realização de atividades fora do Templo onde se faça necessário seu uso (por exemplo Homenagem a Iemanjá).
  • Quando da saída de um Ogã, o atabaque deverá ser descruzado, mantido limpo até que um novo Ogã seja iniciado. Será feito uma nova cerimônia de cruzamento do atabaque junto com o Ogã que o assumirá.
  • Todo atabaque cuja condição não permita mais seu uso, deverá ser descruzado e entregue no Cruzeiro do Santuário pelo Ogã responsável por ele.
  • Após os trabalhos de abertura, auxiliar os irmãos em desenvolvimento através do canto, firmando as energias necessárias sempre que solicitado, para que este de passagem às suas Entidades.
  • A Umbanda tem na musicalidade um dos fatores mais importantes de seu ritual, com suas cantigas e toques, que nos remetem ao plano espiritual fazendo com que sejamos integrados a energia emanadas pelos Orixás. Esta musicalidade é parte vital de sua memória e tradição. É importante que os Ogãs busquem um nível de excelência priorizando, também, a harmonia e o refinamento musical.

 

Considerações finais

O pleno conhecimento desta norma não exime os Ogãs do conhecimento das Normas Gerais dos Filhos da Casa, Normas Gerais dos Médiuns de Consulta, Descarrego e Linha Médica. As Atividades dos Cambones e das Normas Gerais da Assistência, todas são de extrema importância e exige que todos as conheçam profundamente, ou seja, são complementares.