RACISMO, PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO

RACISMO, PRECONCEITO E DISCRIMINAÇÃO

O que a Umbanda tem a ver com isso? TUDO!

O que nós, umbandistas, temos a ver com isso? TUDO!

Vamos lá!

Como a Umbanda nasceu? Qual o seu propósito?

CARIDADE, FÉ, PAZ, HARMONIA, PERSEVERANÇA, CORAGEM, FIRMEZA, TOLERÂNCIA, AMOR. Entre outras virtudes tão caras a nossa evolução. Muito lindo ler e falar essas palavras, difícil mesmo é praticar. Não vivemos no plano espiritual, não sobrevivemos de luz e não estamos no equilíbrio harmonioso do ser. Confrontos, conflitos, instabilidades fazem parte de nossas vidas. Vivemos EM SOCIEDADE, com os outros e é AQUI que temos que aprender a nos desenvolver. É muito fácil ser tolerante, transbordar o amor e a caridade dentro de uma prática espiritual. O desafio maior é manter essas vibrações, essas atitudes, esses pensamentos na vida cotidiana. É a partir da vida terrena, na convivência e nas relações com os outros que precisamos nos olhar, nos perceber, nos transformar, atuar.

A Umbanda é uma religião da MULTIPLICIDADE. A sabedoria de sua luz não está somente nas orientações e mensagens que as Entidades transmitem, mas na própria forma de ser e trabalhar, em sua prática ritualística, em sua forma de fazer magia, de transmitir o axé.

Quem são as Entidades? O que define suas Linhas de Trabalho? Sabemos que um espírito de luz não tem forma, é simples energia, porém eles escolhem se apresentar para nós e para o trabalho espiritual aqui na Terra com certas características, qualidades, estereótipos, constituindo arquétipos.

Índios (Caboclos), Negros (Pretos Velhos), Baianos, Ciganos, Boiadeiros (trabalhadores da terra), entre tantos outros “povos” que trazem em suas representações uma característica muito peculiar: a vivência da exclusão, alvos de diversas formas de discriminação. Histórica e culturalmente escravizados, mortos, tratados como trapos humanos, trazem o peso da discriminação e do ódio contra os quais lutaram e ainda lutam! Será que é à toa que a UMBANDA tem em seu coração essa energia pulsante?! Qual a mensagem por detrás desses símbolos?

É pela INCLUSÃO, pelo RESPEITO à singularidade, à DIVERSIDADE da vida que a Umbanda se funda e se desenvolve, trazendo a mensagem através da TOLERÂNCIA, do AMOR e da UNIÃO de tudo o que representa ou representou a margem e a diferença, afinal, fortalece em nós o que temos em comum, revelando que somos uma única banda composta pela MULTIPLICIDADE.

Talvez o desafio maior enquanto humanidade é mesmo a CONVIVÊNCIA com a DIFERENÇA.

Uma mente alienada e um espírito apequenado projetam em um outro todo o mal do mundo. É muito mais fácil culpabilizar e transferir toda a negatividade para outras pessoas, fomentando o ódio frente ao outro, frente ao que é compreendido como diferente de si, do que olhar para si e entrar em contato com a multiplicidade que vive dentro de si mesmo, entrar em contato com a sua própria negatividade, com o que te faz pequeno de espírito, com suas falhas e verdades instituídas que mais trazem sofrimentos e ilusões do que qualquer outra coisa. Quanta alienação, quanta imaturidade! Esse funcionamento psíquico equivale ao mesmo de uma criança mimada que se revolta contra quem lhe diz um NÃO, quem lhe coloca um LIMITE, quem lhe causa MEDO. A criança faz isso, pois não desenvolveu ainda outros recursos para lidar com seus conflitos, o adulto já deveria ter outros recursos, DEVERIA… mas infelizmente o que vemos é que a mentalidade da humanidade ainda está engatinhando…

O sentimento de superioridade nada mais é do que o medo em lidar com o desconhecido ou mesmo a insegurança de perceber a insignificância de sua própria vida. Quem precisa rebaixar o outro para se sentir bem nada mais revela do que sua própria pequenez e invalidez frente a vida. Quem vê o outro de forma violenta e pratica atos de discriminação não entendeu nada do que a UMBANDA (e tantos outras religiões e filosofias de vida) tentam ensinar.

Somos todos espíritos. Espíritos não têm raça, não tem gênero, não tem classe social… Porém, quando encarnamos pertencemos a certos grupos para justamente aprendermos em vida terrena, uns com os outros, a partir das DIFERENÇAS.

Deparamos-nos com diversas formas de intolerâncias todos os dias. Intolerância religiosa, política, racial, de gênero, … tudo isso não passa de uma mesma questão: como estamos lidando com as diferenças entre nós.

Estamos passando por um momento que traz importantes reflexões. Uma delas é o fato de que a doença COVID-19 está atingindo a todos. Ela não discrimina país, status social, raça, credo, ou qualquer outra condição. Porém, é claro que a desigualdade social e contextos específicos podem ajudar ou a prejudicar no seu “combate”, e mais uma vez faz-se extremamente necessário olhar ao próximo, não para compreender e legitimar condições desiguais, mas fazer o que nos cabe para as transformações que tais situações acusam e exigem. Lembremos que o racismo e o preconceito são produtos sociais! E a sociedade somos todos nós.

Não há um ser humano igual ao outro, a multiplicidade é o que nos constitui! E isso é o mais belo da vida! Imaginem como seria o mundo se existissem somente cópias de nós mesmos? A diversidade é intrínseca a humanidade, talvez essa seja a nossa única característica IGUAL.

O desafio maior é não atribuir o valor de inimigo a quem pensa ou sente ou vive ou é diferente de você. Diferente não é sinônimo de ruim, de contrário, mas simplesmente diferente.

A natureza nos mostra a importância da diferença. A terra é diferente da água, nem por isso uma é mais ou menos importante que a outra, nem por isso uma tem que anular ou destruir a outra para viver. Elas existem em conjunto, uma até complementa a outra, é essencial à sua própria sobrevivência.

O problema é que estamos tão enraizados em valores morais que não seguem uma ética da vida. A Umbanda, a meu ver, nos aproxima da ÉTICA da vida. Ela não cria separações entre o que é bom e o que é ruim, o que é o belo e o que é o feio, o que é o certo e o que é o errado. Triste de quem vive e enxerga a vida assim! Perde a grande oportunidade e a riqueza de enxergar o belo em tudo o que existe, de perceber que o mal e o bem constitui a todos, de que o certo e o errado dependem de quais referências e contextos estamos inseridos, a “verdade” e o “real” é sempre interpretação!

A UMBANDA nasce do preconceito (lembremos que dentro do Kardecismo não eram aceitas certas incorporações de espíritos tidos como “inferiores”). A Umbanda acolhe a todos, encarnados e desencarnados, ela se funda e se desenvolve a partir das diferenças, da multiplicidade e diversidade da vida. Já viu alguma religião incentivar outras religiões que também estão comprometidas com a evolução do ser humano? Aceitar em sua Casa filhos de outras religiões, outros credos, ou mesmo nenhum credo? Não julgar os seus filhos pela maneira que vivem e fazem suas escolhas de vida? A Umbanda faz isso! Por quê? Porque ela é LIVRE, ela é LUZ, ela não está interessada em DOGMAS que mais diminuem a potência da vida do que a fortalecem. Porque ela está interessada em COMPOR com as diferenças, ela está interessada em SER diferença.

A Umbanda é BRASILEIRA, mas não nega suas raízes, as fontes de sua constituição que possibilitaram sua existência, a UMBANDA é negra, é branca, é indígena, é oriental, é criança, é velho, é pobre, é rica, é mistura, é fonte inesgotável de VIDA, e VIDA é a sua LEI!

Pois, afinal, o que nos une é a VIDA! Seguimos fazendo dela a nossa bússola, a nossa referência para nossas atitudes, valores, atos. Lembremos que o racismo, o preconceito e a discriminação que enfraquecem e diminuem a vida do outro e de si mesmo não são somente físicos, mas podem estar presentes em um olhar, um gesto, uma palavra, uma atitude que revela diferentes graus de intolerância! Por isso, vamos todos cuidar disso? A responsabilidade é NOSSA!

Vamos tentar praticar o AMOR e o RESPEITO? Não somente a nós mesmos e aos nossos, mas, principalmente, aos diferentes de nós? Aos distantes de nós? Vamos começar HOJE?

Seguimos praticando o que a UMBANDA nos ensina e o que ela É em sua essência!

Texto elaborado por Isadora Di Natale Nobre, Filha de Santo do T.E.U.C.Pena Verde – 04/06/20.

Sem Comentários

Escreva um Comentário