Covid-19 convida: Fique em casa e reflita

Covid-19 convida: Fique em casa e reflita

 

Não pretendo nessas próximas palavras falar mais do mesmo. Prevenção, transmissão, cuidados, grupos de risco etc.… Pretendo sim, propor uma reflexão a respeito do quadro atual que o planeta passa.

A começar por isso mesmo, a conjuntura que o PLANETA passa. Falamos de um vírus com certo poder letal e com alta transmissibilidade, ou seja, uma atitude INDIVIDUAL interfere no TODO.

Nas últimas décadas a humanidade tem criado uma série de situações, das mais diversas dimensões, que colocam em combate a própria humanidade. Seja combate físico, de ideais, de interesses; seja por questões econômicas, políticas, religiosas, esportivas… Com isso, cada vez mais os discursos, condutas e PENSAMENTOS foram se firmando no combate e no individualismo. O excesso de informações que temos hoje apenas alimenta ainda mais essa condição e, tendo grande oferta de fontes, busca-se e considera-se apenas aquela com a qual o individualismo concorda. E segue o combate. E se desvia o debate.

  • Vivemos numa sociedade que não quer dividir, quer somar e somar para si.
  • Sociedade que não quer contribuir, nem debater idéias, quer impor. “Só o que eu acredito serve”…
  • Sociedade em que fake news só as são de fato se forem contrárias ao que o individualismo “pensa”.
  • Não há mais tolerância e sobra arrogância.
  • Raro é o amor, abundante é a dor.

 

O individualismo está tão forte que nem o individualismo do outro é respeitado. Ignora-se seus sentimentos, seus sofrimentos, suas angústias, suas interpretações. “Se não me acompanha, não serve”.

Sobram julgamentos. Carecem compreensão e entendimento.

Aos poucos assim o ser humano foi se estabelecendo na Terra. E nós aceitamos…

 

Mais especificamente no Brasil, passamos recentemente por tristes momentos de dualidade política e ideológica que simplesmente afogaram em pensamentos e atitudes raivosas qualquer possibilidade de discussão construtiva. O mesmo ocorre em diversos países do mundo.

Religiosos de diferentes crenças se estapeiam, a intolerância reina.

Não posso mais usar a camisa do meu time de futebol pois algum desequilibrado pode “não gostar”.

E assim caminhamos a passos largos. Cada um querendo ir mais rápido que o outro, como se a vida fosse uma corrida, não se olha para trás para ver se alguém tropeçou, caiu ou precisa de ajuda. A ansiedade nos consome. A tecnologia nos corrói. E nós aceitamos…

 

  • O egoísmo impera. O mutualismo espera.
  • Vive-se justificando o injustificável.
  • O ego se amplifica. O coletivo se complica.
  • Cobram-se direitos, mas se esquecem dos deveres.

 

Os valores, falo aqui dos verdadeiros, parece não mais importar. O material importa, o visual também. Para os outros “sou feliz, tenho uma vida perfeita”, para dentro de si “quem sou eu?”.

 

  • Padronizou-se o ideal de existência.
  • E as particularidades? Desistência. E nós aceitamos…
  • E a verdadeira bonança? Ausência.
  • Mudanças? Anti-resistência.

 

E nós… nós que tudo isso criamos…aceitamos!

E assim brigam as sociedades que já não merecem mais assim ser chamadas. Perdeu-se o princípio de comunidade. Governantes querem poder e dinheiro, os governados os sustentam e por eles se estapeiam.

E a harmonia? Bem vinda aqui seria.

Tudo isso nós que criamos. Nós seres humanos. Espécie com capacidade de raciocínio, interpretação e criação; que no transcorrer dos milênios domou todas as outras espécies, dominou o planeta, nomeou territórios e por eles matou (e continua matando); que a Lua chegou e mais longe quer ir e que, por isso, insiste em dizer que evoluiu. Não se evolui apenas com produtos, mas também com atributos.

Espécie essa que gasta milhões para tentar fazer chover no deserto, mas o interesse real em controlar o aquecimento global não passa nem perto.

Empresas gastam milhões para patrocinar eventos, shows, pessoas…mas pouco gastam com aqueles que bem que gostariam de ir a esses eventos e shows e serem, de vez em quando, visto pelos outros como pessoas.

E assim se “desenvolve” uma espécie que não respeita a natureza e que insiste em se iludir que tem controle sobre tudo.

Enfim, chegamos ao hoje! Virus, pandemia, mortes, fake news, intolerância, dor, egoísmo, ansiedade, cobrança de deveres, dedos apontados aos “culpados”… tudo de novo! E nós…

 

            E nós? Tudo de novo? Nós aceitaremos?

Não podemos! É preciso mudança, verdadeira mudança. Parece agora cair a ficha do poder que tem as pequenas atitudes e aqueles que acreditarem na essência da coletividade compreenderão melhor a nossa atual conjuntura.

A atual pandemia escancara na face de todos nós o quanto deixamos de pensar e agir de forma harmoniosa e se buscarmos agir ignorando sua realidade e existência ou buscando culpados, a pandemia mostrará sua força cada vez mais.

Continuamos sendo diariamente bombardeados de informações, que se repetem várias vezes em um mesmo dia… números, suposições, conspirações… ansiedade, medo. E ainda assim temos praias lotadas em um belo, ensolarado e pacífico domingo de verão, ônibus cheios, estoques de álcool gel, estoques (pasmem) de cloroquina… Afinal, “está tudo bem, o covid-19 é só uma gripe, daqui a pouco criam vacina e o ser humano controla tudo de novo”. Eis o Brasil ! Eis o ser humano egoísta !

 

Ok, não vamos generalizar. Foi uma minoria que de forma irresponsável foi às praias, manifestações, aglomerações. A maioria está preocupada e tomando atitudes… Pode ser, mas aqui eu pergunto: qual o motivo número 1 que move a sua preocupação? Qual a principal razão de estar preocupado? O que move suas atitudes? Seria sua saúde (individualmente)? O quanto seu negócio ou empresa vai “sofrer”? O despencar das bolsas? Sua viagem que teve que ser adiada?  Alta do dólar e alguns produtos mais caros?

É preciso mudança! Mudança de pensamentos! Vamos nos mover por nós! Vamos mudar pelo coletivo! Vamos recriar sociedades! Vamos de uma vez por todas mudar as vibrações que emanamos para o nosso planeta!!! O vírus não torce por nenhum time, não tem partido político preferido, não é socialista, nem capitalista, não é racista, feminista e nem machista, não é umbandista, católico, evangélico, budista, judeu, muçulmano… Ele não vai levar em consideração tudo aquilo que você defende, suas preferências… tampouco considerar se você se acha melhor que os outros. Pense nisso.

Precisamos de UNIÃO. Não é hora de alimentarmos brigas políticas, não é hora de interesseiros se aproveitarem do momento por valores pessoais. É hora do TODO, de TODOS ! Quem é de esquerda precisa de quem é de direita e vice-versa, brancos precisam de negros e vice-versa, heterossexuais precisam dos homossexuais e vice-versa. E, pasmem, todos precisam agir da mesma forma, como se fossem uma coisa só (e são)!

É hora de refletirmos tudo aquilo que criamos e temos aceitado! Hora de nos conhecermos, de compreendermos nossos sentimentos, nossas vibrações, de buscarmos no nosso íntimo o porquê de nossas atitudes, pensamentos e palavras, hora de nos sentirmos. Eu não lavo a minha mão por mim, lavo por vocês e espero que alguém lave por mim! Vamos agir e pensar com tranquilidade, vamos emanar serenidade e confiança. Vamos voltar a viver em harmonia entre nós e com a natureza.

Busquemos a verdadeira evolução

Texto elaborado por Dr Ricardo Moreno, Pai Pequeno do T.E.U.C. Pena Verde

20-03-020

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