A MAIOR ARMA DE OGUM É O AMOR

A MAIOR ARMA DE OGUM É O AMOR

“Lei” e “Ordem”! Palavras fortes…Tão importantes para a vivência e

convivência harmoniosas. Difícil tê-las na prática? Talvez!

Falamos de qual lei e de qual ordem? A Lei jurídica, aquela criada pelo ser humano? Falamos da ordem vinculada à lei humana, à política, aos acordos? Ou dos princípios divinos?

Ah! Temos Ogum!!! Nosso guerreiro! Aquele que vence as guerras! Que por nós guerreia! Que por nós batalha!! Que coloca sua espada à nossa frente para a nós garantir a ordem e a aplicabilidade da lei… Ora, se Ogum faz tudo isso, por que então fazemos questão de viver em turbilhões? Por que as tais guerras nunca acabam? Por que a cada dia criamos batalhas? Parece que fazemos questão de viver nessas condições. Somos invadidos por manchetes, posts e mídias a todo instante alimentando a ideia de “guerra” e disputas, seja na política, no futebol, inter-religiões…até o corona vírus, que nem voz tem, parece ter “criado” uma guerra e contra ele mesmo. Temos então duas possibilidades: ou Ogum não está fazendo seu trabalho bem feito ou então somos nós! Arrisca uma resposta?

A meu ver Ogum não faz nada disso! Ogum não guerreira, Ogum não luta! Tampouco Ogum tem uma espada. Ou alguém consegue imaginar Ogum acima de nós com uma lança na mão tirando da nossa frente aquilo que nos atrapalha? Tirando da nossa frente aquilo que vai contra a nossa ordem? Aliás, de qual ordem estamos falando mesmo?

Ogum não faz, Ogum simplesmente existe! E junto com as forças e energias dos Orixás, Entidades, Natureza, Elementais e etc. TENTAM constantemente manter (ou tentar se aproximar ao máximo) o equilíbrio em nosso planeta. E-QUI-LÍ-BRI-O! Essa seria uma boa Lei, o que acham?

Ogum não tem um cavalo, não tem uma lança e muito menos um dragão para matar! Aliás, se tivesse que matar um dragão qual seria ele? O político que não lhe agrada? Todos os políticos? Se acontecesse aquilo que você tanto deseja o mundo de fato seria melhor, os problemas todos se resolveriam? Ou estaria apenas alimentando um prazer individual de vingança? Afinal guerra e vingança fazem parte do mesmo jogo.

Precisamos mesmo manter esse estímulo bélico internamente? O que eu penso, eu sinto; o que eu sinto eu exteriorizo (atitudes, palavras, olhares…). Por que essa existência belicosa em nosso dia-a-dia? Não seria melhor estimularmos a convivência e o respeito às diferenças?

Opa, encontramos uma ordem boa: RESPEITO! Concordam?

Entendo as analogias com armas, combate, guerra, batalha, pois entendo a origem da Umbanda e o seu sincretismo com santos católicos. Mas entendo também que a “imagem” de Ogum vai muito além de um homem, um cavalo, uma lança e um dragão. Compreendo também comparativos feitos como “com a espada de Ogum me fortaleço” ou sentenças do tipo, mas também peço a compreensão de que, como Umbandistas, com a visão que temos dos Orixás e suas referências, temos o dever de ir além a nossos pensamentos e condutas!

Por que temos a necessidade de usar uma arma “física” como espada ou lança? Temos mesmo que lutar diariamente? Que enfrentar batalhas?

Não podemos simplesmente coexistir? Compartilhar? Crescer? Errar, aprender e evoluir? Assumir falhas e buscar melhorar? Aceitar que se você está envolto de emoções ou interesses, grandes chances de sua verdade não a ser de fato… Entender que todos erramos, todos! Compreender que não podemos exigir a perfeição de outros enquanto nós ainda estamos há muitas encarnações de talvez compreendê-la e que, mesmo se, utopicamente, estivéssemos na perfeição existencial não poderíamos (e nem quereríamos) exigir a perfeição dos outros.

Trago aqui a lembrança das palavras do Caboclo de Ogum de nossa mãe no terreiro: a maior arma de Ogum é o Amor!!

Opa, encontramos mais uma Lei: Amor!

Pode chamar de arma se quiser…

Todos os discursos são válidos, as nossas reflexões são estimulantes para a alma e para a coletividade… Acrescento então a provável vontade que Ogum “tem” de sairmos dos discursos e irmos, definitivamente, para a prática! No dia-a-dia, nos nossos pensamentos e atitudes! Nas nossas pequenas e grandes decisões da vida! No nosso entendimento de coletividade!

Cantamos de peito aberto e emoção retumbante que Ogum desce no terreiro “na batida do tambor”, mas esquecemos de deixá-lo descer na batida de nossos corações.

Cantamos envolventemente que Ogum desce “na chiada do guiza”, mas esquecemos de fazer ressoar a essência de Ogum no chiado de nossas palavras…

Pedimos que Ogum lute por nós, mas ignoramos a busca por nossas mudanças internas!

Cantamos que Ogum guerreira por nós, mas não damos musicalidade às nossas ações e vivemos em busca de inimigos!

Mudemos a letra! Mudemos o tom! Mudemos!

Olhemos para dentro de nós e perguntemos: qual o meu inimigo? Precisamos ter inimigos?

Vamos olhar para nós para depois podermos olhar para os outros com compreensão!

“Quem olha para dentro desperta”- Carl G. Jung

Vamos buscar, aceitar e compreender a nossa individuação e com ela trabalharmos (e não guerrearmos).

Quantas vezes já dissemos ou lemos que a atual pandemia está nos dando oportunidades? E quantas oportunidades já não desperdiçamos?

“O mundo externo te chamou para o mundo interno…” – Marujo Jeremias (Adriana Barreto)

Despertemos!!

Em definitivo, vamos nos comprometer a sair dessa quarentena melhores individual e coletivamente!

Mudemos!

Por si…

Por nós…

Por todos… Com todos…

Por Ogum! Com Ogum!

Saravá meu Pai!!! E nos desculpe por insistirmos em nossos erros!

 

Texto elaborado por Dr Ricardo Moreno Pai Pequeno do T.E.U.C.Pena Verde- 25-04-2020

 

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