A ESPIRITUALIDADE E A PSICOLOGIA

A ESPIRITUALIDADE E A PSICOLOGIA

A mente nada mais é do que uma ligação entre a matéria e o espírito, ou seja, entre o corpo e toda a energia que o circunda e o envolve. Trata-se então de um canal em que pensamentos se traduzem em energias e energias absorvidas influem sobre os pensamentos. A mente não é, porém, algo palpável ou um órgão bem definido, mas sim uma região difusa do Sistema Nervoso Central a qual é intimamente relacionada com a criação de pensamentos, idéias, raciocínio, planejamentos (esses sim com regiões bem definidas do cérebro).

A mente é na verdade a nascente do rio de seus pensamentos, os quais possuem estreita relação com suas atitudes e condutas. Por exemplo, ao pensar sobre um cigarro, sabe-se mesmo que inconscientemente e com poucos detalhes as influências do tabagismo em seu organismo. Assim, vem à mente da pessoa ou o fato de o cigarro acalmá-la ou de suas consequências maléficas à matéria. Por vezes, podem até vir ambos os pensamentos e a pessoa põe na balança o que ela realmente deseja fazer, mas em qualquer uma das situações, o que a pessoa pensar irá refletir sobre sua atitude: acender ou não um cigarro. Claro que essas reflexões no início do costume de fumar envolvem a mente da pessoa durante muito tempo, mas depois, convicta do que realmente quer esses pensamentos não mais se expressam, a menos que a pessoa, por opção, passe a refletir sobre o assunto. O que você pensa relfete sobre o que você faz.

A mente possui ainda uma relação muito intensa com a composição física do nosso organismo. Por exemplo, ao encostarmos o braço em uma panela quente sentimos dor. Em milésimos de segundo, estímulos nervosos por vias já bem definidas promovem a retirada do braço do contato com a panela de forma praticamente incosciente. Mas, por mais estúpida que possa parecer essa atitude, eu posso encostar minha mão em uma panela quente e manter o contato por alguns segundos, mesmo sentindo dor. Trata-se de uma influência da mente sobre a percepção da dor e de tudo que a envolve, ou seja, mesmo sentindo a dor eu consigo controlar os impulsos motores da retirada do braço. Esse é poder da mente: controlar suas atitudes.

Pensemos agora em uma dor em que não há possibilidade de retirada motora para evitá-la ou saná-la, por exemplo, a famosa cólica mestrual ou mesmo a comum dor de cabeça. Por mais forte que a dor seja, ao se distrair dela, conversando, andando, lendo ou ouvindo música, a pessoa a esquece. Outra situação: em muitos estudos e experimentos científicos o placebo é usado e diversos pacientes que recebem placebo, sem saber que o comprimido que está tomando não possui qualquer ação farmacológica, tem seus sintomas amenizados. Isso porque a pessoa pensa estar recebendo algo que irá ajudá-la, pensa que sua dor irá diminuir e ela diminui.

Através de nossos pensamentos podemos tanto refletir sobre o mundo exterior ao nosso organismo quanto sobre nós mesmos, sobre o que sentimos, o que queremos, o que angustiamos, o que temos… Essa auto-reflexão é também chamada de consciência.

Porém, nosso organismo possui também diversas ações que independem de nossa vontade. O coração bate ininterrupitamente e por mais que pense “quero que meu coração pare” ele não irá parar; a produção de saliva também é contínua; se mantiver seus olhos abertos em um local iluminado, não há pensamento que faça você parar de enxergar, pois os estímulos luminosos passarão pela sua córnea e alcançarão sua retina independente de sua vontade; suas alças intestinais possuem os movimentos peristálticos, os quais você não consegue controlá-lo; frente a variações razoáveis do volume sanguíneo, o organismo consegue liberar substâncias que controlam o calibre de alguns vasos, equilibrando a alteração do volume corrente. Enfim, o organismo possui diversas maneiras de manter-se em funcionamento e mesmo frente a certos obstáculos ele consegue adaptar-se. Agora, cabe nesse momento uma pergunta: se o nosso organismo é complexo o suficiente para ser capaz de se monitorar e se adaptar às mais diversas circunstâncias, porque existe a consciência? Poucos pararam para pensar o porquê de termos consciência sobre o que acontece ao nosso redor, sobre o que fazemos, o que pensamos… Se o nosso organismo é capaz de perceber isso, por que não somos iguais aos demais animais e não vivemos apenas baseado em nossos instintos para ir em busca de alimento.

O que nos difere de fato dos demais animais vai muito além do clichê que diz que Homem é um animal racional. Aliás, o raciocinar é na verdade uma consequência da evolução do ser humano. A capacidade que o Homem tem de calcular, por exemplo, é reflexo da necessidade que a espécie teve em algum momento de criar números para facilitar a comunicaçào e o dia-a-dia. A partir de números primitivos, criaram-se os algarismos romanos e arábicos. Com o evoluir da espécie, o homem tornou-se capaz de criar fórmulas para cálculos mais complexos, inventou a porcentagem, medidas mais exatas… Isso se reflete até hoje nas constantes inovações tecnológicas que a cada novo lançamento no mercado nos surpreende, fazendo-nos perguntar “até onde o ser humano conseguirá chegar?”. A capacidade de raciocinar da maneira que é vista hoje foi uma consequência da evolução que o ser humano teve, mas mesmo antes dessa capacidade aflorar, o Homem, mesmo em seu estado mais primitivo, já tinha um diferencial em relação aos demais animais: sua consciência.

Ao ler “consciência”, porém, vá mais longe, pense em algo relacionado à espiritualidade e terá a resposta àquela pergunta. Por que temos consciência? Porque temos um espírito! Ou melhor, na realidade, somos um espírito que estamos aqui encarnados para aprender, acumular lições e evoluir.

Encarnar envolve todo o processo do viver, ou seja, ter relações, passar por etapas da vida, estudar, trabalhar, aprender, conhecer, ensinar, amar, errar, ter relações interpessoais, enfim, envolve o processo de nascimento (encarnação), desenvolvimento e desencarnação.

Qualquer tipo de erro cometido deve servir de degrau para a construção da escada que o levará a um patamar mais elevado da espiritualidade. Porém, essa escada deve ser lapidada, aperfeiçoada e o acabamento final dela deve ser feito com o piso do perdão e o rejunte da humildade, somente assim ter-se-á um degrau digno de uma escada de evolução espiritual. Mantendo-se no mesmo erro jamais conseguirá construir sua escada, criará apenas um largo degrau de paralisação do seu progresso.

Portanto, não lamente errar, lastime, sim, por não enxergar a razão do erro e por não buscar sua correção. Aflige-se por sentir-se no mesmo degrau por muito tempo, pois ninguém fica isento de erros por um longo tempo da vida. Por menor que seja o seu erro, valorize-o. Por vezes, uma simples palavra falada sem pensar pode magoar alguém, pode soar de forma agressiva, incompreensiva ou desmedida aos ouvidos de quem a recebe. Para quem a disse pode parecer algo simples, pequeno e de pouca significância, porém para quem a assimila o valor pode ser outro. Aquilo que para um pesa como algodão, para outro, como chumbo. Sendo assim, qual o verdadeiro grau desse erro?

Quem somos nós, espíritos encarnados, sujeitos a influências, interesses e interpretações particulares, para julgarmos o verdadeiro valor que algo ou alguém possui. Cabe a nós, sim, avaliar nossas condutas, atitudes e pensamentos, para assim evitarmos erros “pequenos”, “médios” ou “grandes”.

Avaliar condutas e pensamentos, na verdade nada mais é do que usufruir do maior dos presentes dado a nós por Oxalá: a vida. Ao refletir sobre seus atos e suas idéias, estará pondo em prática, através de sua mente, o raciocínio sobre o que de fato você está fazendo na vida terrena, sobre como você está pensando e se portando, ou seja, buscará a reposta do por que você está vivo de forma consciente, de qual o seu propósito aqui na vida terrena. Portanto, ser um animal racional é ir muito além de fazer cálculos ou saber ler e escrever, é entender a si mesmo, é refletir sobre seus reais objetivos, é sentir os próprios sentimentos, sempre com sinceridade e honestidade consigo mesmo. Somente assim, conseguirá ser um verdadeiro racional.

E é exatamente por esse poder que a mente e os pensamentos possuem sobre a conduta e o comportamento das pessoas, existe, há muito tempo, a Psicologia, a ciência que estuda o comportamento e os processos mentais dos indivíduos.

 

Texto elaborado por Dr Ricardo Moreno, Pai Pequeno do T.E.U.C. Pena Verde – 19/05/2020

 

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