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Xangô

Introdução

Xangô é o Orixá da Justiça. Age diretamente na razão dos humanos, despertando em nós o senso de justiça, honestidade, imparcialidade e equilíbrio.
Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Ele castiga os mentirosos, os ladrões e os malfeitores. Representa o poder em todas as suas manifestações, da riqueza, da sedução, da justiça, da força física e da inteligência.
Xangô tem a fama de agir sempre com neutralidade. Seu raio e eventual castigo são o resultado de um quase processo judicial, onde todos os prós e os contras foram pensados e pesados exaustivamente. Seu Axé está concentrado nas formações de rochas cristalinas, nos terrenos rochosos à flor da terra, nas pedreiras, nos maciços, em todas as pedras, mas, principalmente naquelas resultantes da destruição provocada pelos raios, sendo o Meteorito seu Axé máximo. Suas pedras são inteiras, duras de quebrar, fixas e inabaláveis, como o próprio Orixá. Ele é a lava do vulcão e é o próprio vulcão, também está ligado ao calor do sol.
O símbolo do Axé de Xangô é um machado estilizado com duas lâminas, o Oxé, que indica o poder de Xangô; ele corta em duas direções opostas. O administrador da justiça nunca poderia olhar apenas para um lado, defender os interesses de um mesmo ponto de vista sempre. Numa disputa, seu poder pode voltar-se contra qualquer um dos contendores, sendo essa a marca de independência e de totalidade de abrangência da justiça por ele aplicada. Assim como Zeus é uma divindade ligada à força e à justiça, detendo poderes sobre os raios e trovões, seu elemento é o fogo.
Xangô também gera o poder da política. É monarca por natureza e chamado pelo termo Obá, que significa Rei. No dia-a-dia encontramos Xangô nos fóruns, delegacias, ministérios políticos, lideranças sindicais, associações, movimentos políticos, nas campanhas e partidos políticos, enfim, em tudo que gera habilidade no trato das relações humanas ou nos governos, de um modo geral. Tudo que se refere a estudos, as demandas judiciais, ao direito, contratos, documentos trancados, pertencem a Xangô.
Xangô é a ideologia, a decisão, a vontade, a iniciativa. É a rigidez, organização, o trabalho, a discussão pela melhora, o progresso social e cultural, a voz do povo, o levante, à vontade de vencer. Também o sentido de realeza, a atitude imperial, monárquica. É o espírito nobre das pessoas, o chamado “sangue azul”, o poder de liderança, o reformador. Para Xangô, a justiça está acima de tudo e, sem ela, nenhuma conquista vale a pena; o respeito pelo Rei é mais importante que o medo.
Seu machado de duas lâminas também simboliza os dois lados da justiça, a interna e a externa, Xangô nos ensina a sermos justos com nós mesmos e também com aqueles que nos rodeiam, a trabalharmos o senso de equilíbrio do saber pedir e saber merecer, equilibrando nossas vontades e iniciativas com o bem estar daqueles que nos cercam, sabendo agir com dignidade e benevolência. Ele nos cobra a responsabilidade da realidade que construímos e da qual fazemos parte, a consciência da coletividade e do não julgamento de nossos irmãos, pois devemos sempre nos lembrar de olhar para os dois lados de uma situação, avaliando todas as posições e direções com independência e, sobretudo justiça.

Arquétipo – Características dos filhos de Xangô


O arquétipo de Xangô é aquele das pessoas voluntariosas e enérgicas, altivas e conscientes de sua importância real ou suposta. Das pessoas que podem ser grandes senhores, corteses, mas que não toleram a menor contradição, e nesses casos, deixam-se possuir por crises de cólera, violentas e incontroláveis. Das pessoas sensíveis ao charme do sexo oposto e que se conduzem com tato e encanto no decurso das reuniões sociais, mas que podem perder o controle e ultrapassar os limites da decência. É de pessoas que possuem um elevado sentido da sua própria dignidade e das obrigações, o que o leva a se comprometer com um misto de severidade e benevolência, segundo o humor do momento, mas sabendo guardar, geralmente, um profundo e constante sentimento de justiça.
Sente prazer em ser dono e coordenador de todos que estejam à sua volta, muitas vezes sentindo-se superior poderá pensar que é intocável, e esse é uma característica a ser cuidada, pois se não se prevenir contra tal, sofrerá e poderá sucumbir por causa de seus atos.
Seus filhos são regidos por Júpiter, o astro da justiça. De acordo com seu porte real, os filhos de Xangô darão muita importância ao belo, ao bem vestir e não medirão esforços para cativar com seu charme e simpatia os que estiverem a sua volta. Porém, quando não conseguir conviver com suas qualidades, poderá transformá-las em seu avesso e se postará como dono da verdade. Terá uma excessiva fome de poder, não respeitará nada nem ninguém em busca de glória.

Chacra


Xangô é ligado ao plexo solar, que se situa na região do epigástrio e faz um triângulo com os dois ombros (por trás). Pode-se dizer que se situa na base do estômago.
O chacra solar é o chacra do equilíbrio e se relaciona às qualidades de Xangô: descobertas, mente concreta, dinamismo, desejo, relação com o mundo. É o chacra do poder, gerado pelo livre-arbítrio. Esse poder vai depender do desenvolvimento paralelo com os outros chacras. Conforme o nível evolutivo da consciência, esse poder pode inclinar-se para uma polaridade ou outra.
Muitos autores englobam o chacra umbilical e o solar como um só, ou solar, ou umbilical. Na verdade, quanto mais superior o chacra, mais rápido e mais abrangente. Como os dois estão estreitamente ligados, o processo de síntese acaba unindo os dois. O umbilical está ligado à personalidade e à lei inferior e o solar está diretamente ligado ao chacra coronário, do qual é a base, como aspecto mental inferior. O solar une o ego inferior ao ego superior, daí a importância atribuída a Xangô, Orixá que trás as orientações dos mundos superiores para a evolução dos inferiores.
O chacra umbilical está constantemente recebendo as energias dos chacras inferiores, especialmente do sexual. As que não consegue utilizar ou dominar, remetem para o solar, que tem a função de reunir e levar informações dos outros chacras do corpo, especialmente do chacra umbilical, tornando-as filtradas e adequadas a serem percebidas pelos outros chacras superiores para onde as envia através do chacra cardíaco que protege o solar das vibrações inferiores. Os chacras superiores as remetem de volta, processadas, para serem utilizadas pelos chacras inferiores. É o chacra solar que traz a intuição e o conhecimento espiritual sobre as energias recebidas pelos outros chacras.
As relações de Xangô (solar) com Oxum (cardíaco) se explicam perfeitamente em termos de chacras. A mente inferior sem amor (Xangô desligado do cardíaco) se deixa dominar pelas emoções do sexual e umbilical.
Sem apoio do chacra solar, os chacras superiores podem receber todo tipo de influência, ocasionando mediunidade descontrolada (vozes, visões e assédios) que pode afetar doentiamente o chacra sexual. É necessária a correta interação entre o solar, o cardíaco, o laríngeo e o frontal, assim como todos os outros, para uma mente equilibrada e um corpo sadio. Para isso concorre também o uso correto da energia do sexual. Quando esse processo funciona normalmente, as informações que retornam dos chacras superiores tendem a clarear as informações oriundas dos chacras inferiores, tornando-as mais racionais e reais, ou manifestá-las através de intuições, clarividência, insights, etc.
Quando a vontade e a liberdade do chacra solar são bloqueadas, ele não consegue liberar a energia e forma um tumulto interiro, raiva e força que originam uma crise emocional ou esgotamento. Os filhos de Xangô são intensamente trabalhados internamente e só depois de plenamente desenvolvidos é que se mostram ao exterior.
Seu elemento é o fogo, que significa calor, energia, atividade e, no nível espiritual, a purificação, a transformação e o relacionamento ativo com outras pessoas.
Quando o chacra solar está aberto e funciona em harmonia, a pessoa se aceita como ela é e os outros como eles são. Além disso, aumenta a capacidade de pensar, de discernir, de processar e entender os sentimentos, as emoções e o relacionamento do sexual. Também estimula o trabalho, o estudo, a meditação e a aplicação de cura e manutenção do corpo físico e da força vital do chacra básico. A cura é sustentada pelo conhecimento e pela fé.
Xangô é relacionado à justiça porque ela é a essência do equilíbrio e da clareza das coisas. A justiça ou o equilíbrio é muito mais que a Lei relacionada ao Karma, a causa e o efeito. O equilíbrio entre o superior e o inferior se efetua pela análise e pelo processamento do inferior pela ótica do superior, que analisa e direciona o inferior para seu aspecto mais positivo e superior.

Características


Comemoração: 24 de junho (São João Batista), 29 de junho (São Pedro) ou 30 de setembro (São Jerônimo).
Dia da semana: quarta-feira.
Cor: marrom (branco e vermelho).
Oferendas (Comidas): Agebô, amalá, peixe assado ou cozido, quiabo, mandioca, frutas.
Oferendas (Bebidas): cerveja preta.
Corpo humano: fígado e vesícula.
Elemento: fogo.
Planeta: Júpiter.
Pontos da Natureza: pedreira, trovão, raio.
Símbolo: machado de dois gumes/lâminas (Oxé).
Sincretismo: Moisés, Santo Antônio, São Jerônimo, São João Batista, São José, São Pedro.
Ervas: Aroeira, arruda, para-raio, picão-preto, pimentas, folhas de café, flor e semente de girassol, levante, manjericão (principalmente o roxo), mirra, folhas e cascas de romã.
Metais: estanho.
Pedras: jaspe, meteorito.
Saudação: Kaô Cabecilê Xangô! (venham saudar o Rei Xangô!).

Lendas


1) Uma das lendas que mostram bem o senso de justiça de Xangô é aquela que conta a história de uma conquista feita pelo Deus do trovão.
Xangô, acompanhado de numeroso exército, viu-se frente a frente com o exército inimigo. Seus opositores tinham ordens de não fazer prisioneiros, de destruir o inimigo, desde o mais simples guerreiro até os ministros e o próprio Xangô. E, ao longo da guerra, foi exatamente o que aconteceu. Aqueles que caíam prisioneiros dos exércitos inimigos de Xangô eram executados sumariamente, sem dó ou piedade, sendo os corpos mutilados devolvidos para que Xangô visse o suposto poder de seu inimigo.
Batalhas foram travadas nas matas, nas encostas dos morros, nos descampados. Xangô perdeu muitos homens, sofreu grandes baixas, pois seus inimigos eram impiedosos e bárbaros.
Do alto da pedreira, Xangô meditava; elaborava planos para derrotar seu inimigo, quando viu corpos de seus fiéis guerreiros serem jogados ao pé da montanha, mutilados, com os olhos arrancados e alguns com a cabeça decepada.
Isso provocou a ira de Xangô que, em movimento rápido e forte, chocou seu machado contra a pedra, provocando faíscas tão fortes que pareciam coriscos. E quanto mais forte batia, mais os coriscos ganhavam força e atingiam seu inimigo.
Tantas foram as vezes que Xangô bateu seu machado na rocha, tantos foram os inimigos vencidos. Xangô triunfara, saíra vencedor. A força de seu machado emudeceu e acovardou o exército inimigo.
Com os inimigos aprisionados, os ministros de Xangô clamaram por justiça, pedindo a destruição total dos opositores. Um deles lembrou a Xangô:
- Vamos liquidá-los. Eles foram impiedosos com nossos guerreiros!
-Não! – Enfatizou Xangô – meu ódio não pode ultrapassar os limites da justiça! Os guerreiros cumpriam ordens, foram fiéis aos seus superiores e não merecem ser destruídos. Mas os líderes, sim, estes sofrerão a ira de Xangô.
E levantando seu machado em direção ao céu, Xangô gerou uma sequência de raios, destruindo os chefes inimigos e libertando os guerreiros, que logo passaram a servi-lo com lealdade e fidelidade.
Assim, Xangô mostrou que a justiça está acima de tudo; que, sem ela, nenhuma conquista vale a pena, e o respeito pelo rei é mais importante que o medo.

2) Xangô recebeu de Olorum um pilão que representa a união da terra com o céu. Com isso Xangô passou a ter o privilégio de ir e vir da terra para o céu, comunicando-se diretamente com Orumilaia, que lhe orienta em suas decisões na Terra. Mas, havendo abusado de seus poderes, Xangô foi punido, sendo apedrejado por todos e, após sua morte ficou entre os dois mundos. Olorum concedeu-lhe o perdão e Xangô retornou a Terra como Orixá, como pilão de duas bocas, a parte de baixo representando a terra e a de cima o céu.

PONTO DE CHAMADA:

DIZEM QUE XANGÔ MORA NAS PEDREIRAS
MAS, NÃO É LÁ SUA MORADA VERDADEIRA (BIS)

XANGÔ MORA NUMA CIDADE DE LUZ
ONDE MORA SANTA BÁRBARA, OXUM MARÉ E JESUS (BIS)